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Cooperativas sofrem dificuldades

       Quem confirma as dificuldades dos produtores é o senhor Mitsuyoshi Kamezaki, que preside a CAMES (Cooperativa Agrícola Mista Efigênio Salles). Ela reúne cerca de 20 associados japoneses, que produzem ovos, ração para galinhas e algumas frutas e verduras, Kamezaki explicou que as vendas caíram muito este ano. Ele contou ainda que hoje os produtos são vendidos direto pelos produtores nas feiras e mercados, sem passar pela cooperativa, e que os ovos tomaram o lugar dos vegetais. “No ano passado vendemos cerca de 1.200 caixas de ovos. é pouco em relação ao que produzíamos antes, mas nosso trabalho continua sendo importante para a cidade”, disse.
       Antes dessa fase da avicultura, os imigrantes se ocuparam em diversas outras atividades do primeiro setor. Na primeira etapa da imigração, por volta de 1929, os japoneses chegaram a Maués e iniciaram o cultivo do guaraná. Já em 1931, com os imigrantes que ocuparam a Vila Amazônia, em Parintins, veio a necessidade de produzir juta, que baseou por muito tempo o comércio daquele município. No pós-guerra, veio a seringa, que terminou com o fim da era da borracha. Os japoneses seringueiros então se dedicaram ao cultivo da pimenta-do-reino.

História de Vida

       Em 1960, o menino Hiroya Takano desembarcava no Brasil após uma viagem de navio que durou 40 dias. Acompanhado de seus pais, ele fez um trajeto comum entre centenas de famílias japonesas que vieram ao Amazonas em busca de uma vida melhor e de trabalho digno. Com muita força de vontade e uma paciência incrível, sua família conseguiu montar um dos primeiros restaurantes especializados em comida japonesa na capital, o Suzuran.
       O restaurante foi fundado pelo pai de Hiroya há 30 anos, mas em seguida ele mesmo começou a administrá-lo. Ele explicou que os dez primeiros anos foram muito difíceis, e sua família trabalhou todos os dias sem folga. “Os gastos para quem comercializa comida japonesa são muito altos, e naquela época apenas japoneses freqüentavam o restaurante. Isso não nos dava muitos lucros”, afirmou.
Hiroya lembra que a partir de 1988 as coisas começaram a mudar, com o aumento da procura de comida japonesa. “Nesta época as pessoas começaram a se preocupar com a saúde, e buscavam comidas mais saudáveis, como a japonesa. Isso aumentou bastante a nossa clientela”, contou. Hoje 80% dos clientes do Suzuran são brasileiros, e os outros 20% são japoneses ou de famílias do Japão. Desde aquela época, é ele mesmo que prepara o sushi.
       Emocionado, Hiroya contou que sua família foi muito bem recebida no Amazonas, e que eles sempre foram tratados como brasileiros. “Quando chegamos aqui meu pai me falou: ‘Nós estamos indo para um país diferente, e é para ficar. Por isso temos que nos integrar a eles. Respeitar a cultura e aprender os costumes desse povo”, disse.
       Diante de todas as dificuldades, Takano elegeu um elemento da herança nipônica que mais lhe ajudou a alcançar o sucesso “a paciência oriental”, brincou.

Fonte: Jornal do Comércio, 22 e 23/06/2008.  Pág.A4.

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